sábado, 27 de junho de 2026

POR QUE A MORTE DE CRIANÇA COMO MENINA LAURINHA EM QUIXERAMOBIM, CAUSA TANTA COMOÇÃO





De tempos em tempos somos tomados por uma forte comoção com acontecimentos envolvendo a morte de crianças. Foi assim em 1993 quando o Ceará registrou o assassinato de três crianças no caso que ficou conhecido como “chacina do Pantanal”, em Fortaleza. Em 2008 um clamor ganhou proporção nacional com a repercussão do caso Isabela Nardoni, de apenas 5 anos, morta ao ser jogada de um prédio pelo pai e a madrasta.


Esse mesmo sentimento é vivido desde a última quarta-feira (24) em Quixeramobim. O município mergulhou e permanece em profunda tristeza e luto pela morte da garotinha Laurinha, de apenas dez anos, após mais de uma semana em um leito de UTI em Fortaleza. Da notícia do falecimento emergiu um sentimento de tristeza coletiva com milhares de outras pessoas acolhendo a dor da família. Mas, afinal, porque o luto pela morte de crianças é tão impactante?


A psicóloga da saúde e professora do Centro Universitário Católica de Quixadá (Unicatólica), Anice Holanda Maia, analisa que o sentido de infância passou a ser visto como uma fase a ser cuidada, e não interrompida. “Internalizamos que crianças são seres que tem o futuro pela frente. A morte de uma criança desestrutura essa representação, faz a gente se confrontar com o drama de uma vida inteira a ser vivida que foi dilacerada”.


A infância e a criança nos remete a refletir sobre uma vida inteira a ser vivida: crescer, estudar, trabalhar, ter filhos. “A morte como finalização de todas essas probabilidades, comove e nos arranca da expectativa de futuro”, completa Anice. A justificativa encontra sentido na cronologia da vida: se o natural e esperado é morrer somente quando estivermos velhos, ver crianças morrerem seria antinarual. “Temos a ideia de que os filhos viverão além dos pais e que pais nunca deveriam sepultar um filho”, pontua a psicóloga.


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